Resenhas

Sonata em Auschwitz

Título Original: Sonata Em Auschwitz
Autora: Luize Valente
Ano: 2017
Editora: Record
Páginas: 375
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Sinopse: Um bebê nascido nas barracas de Auschwitz-Birkenau em outubro de 1944 e uma sonata composta por um jovem oficial alemão, na mesma data, também em Auschwitz, dão origem a duas histórias que se cruzam e se completam. Décadas depois, Amália, portuguesa com ascendência alemã, começa a levantar o véu do passado nazista de sua família a partir de uma partitura que lhe é revelada por sua bisavó. A dúvida de que o avô, dado como morto antes do fim da Segunda Guerra, possa estar vivo no Rio de Janeiro leva Amália a atravessar o oceano e a conhecer um casal de judeus sobreviventes do Holocausto. A ascensão do nazismo em Berlim, a saga dos judeus húngaros da Transilvânia, os mistérios acontecidos no campo de extermínio da Polônia e o pós-guerra numa casa cheia de segredos à beira de um lago de Potsdam oferecem os trilhos que Amália percorrerá para montar o quebra-cabeça.
Luize Valente é uma autora cujas tramas nascem de sua imaginação privilegiada e ganham corpo com pesquisa histórica rigorosa. Elaborada com extrema sensibilidade e precisão investigativa, sua narrativa envolve o leitor em mistério, suspense e profundos sentimentos.

“As ruínas, ao fundo da rua, são a lembrança permanente da destruição causada pela guerra.”

Antes de começar essa resenha, é muito importante ressaltar que, caso você não esteja preparado para se emocionar, nem passe do primeiro capítulo deste livro.

Tudo começa quando Frederick, um integrante da Força Armada Alemã, decide salvar um bebê judeu que acabara de nascer em um dos campos de trabalho, que eram destinados àqueles que não faziam parte da raça ariana, ou melhor, um inferno.
Depois desse primeiro contato que o leitor tem com a história, o cenário muda e somos levados para anos mais tarde. ⠀

Desta vez, quem entra em cena é a família de Frederick, que anos depois, decidem investigar o que poderia ter acontecido com o rapaz depois da Guerra. E é nesse momento que começamos a entender o motivo pelo qual ele fugiu com aquele bebê. ⠀

Amália, a neta de Frederick, é quem tem a missão de ir atrás de respostas. A moça encontra Adele, a mãe do bebê que foi salvo, e Haia, o bebê. ⠀

“Uma coisa que aprendi em Auschwitz é que a gente pode viver só, mas sobreviver?”

Depois de tanto tempo, é claro que Haia não é mais um bebê, e sim uma senhora de 50 anos e Adele está beirando seus 70. Mas nem todo o tempo foi capaz de aparatar da alma de Adele aquele período horrível que viveu em Auschwitz. ⠀
Arrancada de seu lar quando ainda tinha 14 anos, Adele viu pai, mãe, irmã, parentes e amigos, morrerem nas mãos de alemãs que mais pareciam carrascos do próprio diabo. ⠀

Adele viveu muito tempo sendo tratada pior que um animal. Passado fome, apanhando, vendo gente morrer todos os dias. Passou muito tempo sobrevivendo. ⠀

Para ficar mais claro, Hitler decidiu que, judeus, homossexuais, negros e pessoas com alguma deficiência física deveriam ser extintos do país e assim começou a perseguição contra esse povo. Sendo assim, se um judeu tinha um comércio, ele era depredado até que as portas se fechassem de vez, um judeu médico era proibido de exercer sua função, crianças judias eram expulsas de escolas tradicionais e todos os diretivos dessa gente eram arrancados, inclusive o diretor de andarem nas ruas. ⠀

Na rua da armadura, a família de Adele, assim como as outras famílias judias, tinham de ficar trançados dentro de casa sem poder trabalhar, estudar ou visitar amigos. Parece bem ruim, não é mesmo? Mas na Guerra o que é ruim pode ficar pior. ⠀
Dessa vez, a raça Não Ariana é retiradas de suas casas e jogadas em um minúsculo espaço que eles chamam de Gueto. Lá, famílias dividem um único cômodo com várias outras pessoas. No total, são 30 pessoas por cada cômodo, e isso independe de você ficou com o quarto ou a sala. ⠀

Não preciso nem dizer que as condições eram precárias né? E a falta de espaço facilitava a falta de higiene, facilitando também a propagação de doenças. A essa altura do campeonato, Adele já está grávida. Mas a gravidez da moça e um segredo entre a família, pois, se os soldados descobrem, certamente dariam um “jeito” na moça. ⠀

Do gueto, os prisioneiros são levados para os campos de trabalho já em um número muito menor, tendo em vista que muitos não resistiram ao sofrimento ou foram brutalmente assassinados mesmo. ⠀

O campo esta repleto de doenças, de criaturas raquíticas de roupas listradas e de muita dor. Nessa parte do livro, você precisa respirar fundo e ir em frente. ⠀

Centenas de judeus eram mortos todos os dias em crematórios, outros eram obrigados a carregar os corpos, as mulheres tinham seus cabelos cortados para servirem de perucas para as Alemãs. Sem contar que, qualquer tipo de privacidade ou pudor, pelo mínimo que fosse, não tinham espaço em Auschwitz. ⠀

Adele passa a gestação toda naquele inferno, vê todos que ama morrerem até que o grande dia chega. O bebê vai nascer. ⠀
Mas por qual motivo o bebê foi salvo logo por um militar? Adele permaneceu em Auschwitz? Onde Frederick está? ⠀

Esse livro é empático do início ao fim e arrisco dizer que foi uma das minhas melhores leituras do ano.

⭐⭐⭐⭐⭐

Meu nome é Kamila, tenho 22 anos e adoro ler desde que me conheço. O blog Resenhista foi criado em Dezembro de 2016, e nasceu da junção da insistência do meu namorado em criar um espaço onde eu pudesse explorar e expor minha paixões literária e a minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que eu ia lendo. Apesar do blog ser ainda muito novo, já tem alcançado um certo público e esse é um dos pontos que mais me motivam continuar a escrever. O Resenhista começou com o desejo de criar uma biblioteca pessoal virtual, e é claro, por meu fascínio por livros e hoje faço dele minha diversão, meu robe favorito. Desde que comecei a resenhar, poucos foram os dias em que passei sem pegar em um livro. Leio em média 8 à 10 livros por mês, dependendo dos compromissos pessoais. Levo uma vida bem tranquila, na medida do possível, me formei em Letras-Literatura em Dezembro de 2016 e hoje curso Pós Graduação em Letramento. Sou professora mas meu grande sonho é tornar-me JORNALISTA!!! Hoje as ferramentas que mais me trazem retorno são o Instagram e o Blog, porém tenho uma página no Facebook, Twitter e futuramente, quem sabe, um canal no YouTube. Espero que possamos nos divertir juntos e agregar valores. Um grande cheiro e Volte Sempre!

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