Proseando com

Proseando com Luize Valente, autora de Sonata em Auschwitz

Abrindo nosso quadro “Proseando com” com chave de ouro, está umas das escritoras que ganhou meu coração e admiração em 2017: Luize Valente.

Assim que a ideia das entrevistas surgiu, pensei em alguns autores parceiros que poderiam colaborar com a iniciativa, e a Lu com certeza foi uma ótima escolha, pois sua escrita é tão maravilhosa e apaixonante, que saber um pouquinho mais sobre sua vida é um grande privilégio.

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Então, vamos às perguntas!

1-Qual foi a situação mais marcante que você já passou como autora?

Já passei por algumas …. vou citar a mais recente. Foi percorrer, por três dias, o campo de concentração de Auschwitz, onde se passa parte da trama do meu livro Sonata em Auschwitz, e lá refazer o caminho das personagens, baseado em relatos e conversas com sobreviventes do Holocausto. O que me leva a outro momento marcante: o encontro com Maria Yefremov, que serviu de inspiração para a história central do livro. Maria faleceu em dezembro de 2017, aos 103 anos. Ela chegou grávida em Auschwitz, em 1944. Lá teve o bebê, uma menina, que lhe foi tirada imediatamente após o nascimento e levada para a morte. Na ficção que escrevi, a recém-nascida sobrevive.  

2 -Você se lembra quando foi a primeira vez que sentiu vontade de escrever um livro? Como foi?

Acho que foi logo depois que aprendi  a ler e escrever! Eu sempre gostei de ouvir histórias. Depois passei a lê-las e arriscar as narrativas que surgiam na minha imaginação. A primeira de que tenho memória foi lá pelos seis anos… sobre um leão chamado Laurentino. É o nome do meu avô paterno, que morreu antes de eu nascer.

3-Você cria laços com seus personagens ou consegue os olhar à distância, como um narrador observador?

Crio laços. Vou me afeiçoando à medida que vou escrevendo. Vibro com eles, e sofro com eles, principalmente porque sei o destino trágico que alguns terão e que não poderei mudá-lo por causa do desenrolar da trama.

4- Ao iniciar a escrita, você já tem definido o desfecho da história ou espera que ele surja naturalmente ao longo da narrativa?

Tenho definido a mensagem, seja redentora ou pessimista, o que ajuda a definir o final. No meu caso é fundamental ter a ideia do final pois os persongens caminham para lá, com propósitos. Me ajuda a escrever com mais objetividade.

5- Como foi sua experiência com a pesquisa sobre Auschwitz? Emoções, desafios, a criação da narrativa a partir dos fatos históricos, como foi que surgiu essa ligação?

Essa pergunta me remete a primeira resposta, este assunto sempre foi muito marcante para mim.  Desde muito cedo comecei a ler livros e todo o tipo de material sobre Holocausto. É um dos períodos mais sombrios da História e, por mais que lesse e visse filmes, jamais consegui compreender como um ser humano foi capaz de tratar seu semelhante com tamanha desumanidade. Por isso procurei fazer uma história em que os personagens e suas trajetórias interrompidas ou modificadas pela guerra fossem destacados. Uma história que levasse o leitor a sentir a trama, a vivenciá-la, a colocar-se no lugar dos personagens. Acho que foi esse o grande desafio. Eu tinha uma pesquisa histórica vasta, no entanto o foco foi colocar esta pesquisa a serviço dos personagens para que eles ganhassem forma, voz, cheiros, dores, alegrias. Visitei boa parte dos  locais onde a trama se passa, li muitos depoimentos, conversei  com sobreviventes. Procurei dar um corpo e um rosto aos milhares que se transformaram em números na máquina de morte que foi Auschwitz. Para saber mais sobre a pesquisa e sobre a história do livro acesse www.luizevalente.com

Espero muito que tenham gostado do bate papo, e caso queiram saber mais sobre a autora ou o livro, deixem as perguntas aqui nos comentários.
Um grande beijo e até a próxima!
Por Kamila Barbosa

 

Meu nome é Kamila, tenho 22 anos e adoro ler desde que me conheço. O blog Resenhista foi criado em Dezembro de 2016, e nasceu da junção da insistência do meu namorado em criar um espaço onde eu pudesse explorar e expor minha paixões literária e a minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que eu ia lendo. Apesar do blog ser ainda muito novo, já tem alcançado um certo público e esse é um dos pontos que mais me motivam continuar a escrever. O Resenhista começou com o desejo de criar uma biblioteca pessoal virtual, e é claro, por meu fascínio por livros e hoje faço dele minha diversão, meu robe favorito. Desde que comecei a resenhar, poucos foram os dias em que passei sem pegar em um livro. Leio em média 8 à 10 livros por mês, dependendo dos compromissos pessoais. Levo uma vida bem tranquila, na medida do possível, me formei em Letras-Literatura em Dezembro de 2016 e hoje curso Pós Graduação em Letramento. Sou professora mas meu grande sonho é tornar-me JORNALISTA!!! Hoje as ferramentas que mais me trazem retorno são o Instagram e o Blog, porém tenho uma página no Facebook, Twitter e futuramente, quem sabe, um canal no YouTube. Espero que possamos nos divertir juntos e agregar valores. Um grande cheiro e Volte Sempre!

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